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Jam Session marca a volta dos eventos na Casa UBC
Publicado em 20/05/2022

Primeira edição do encontro contou com mais de 110 convidados e celebrou a cena musical independente no Brasil

Por Akemy Morimoto, do Rio

Fotos: Zéca Vieira (@ozecavieira)

Depois de um hiato de mais de dois anos sem confraternizações devido à pandemia, a Casa UBC reabriu suas portas para realizar a primeira Jam Session de 2022. O encontro, na terça-feira (10), teve mais de 110 convidados e faz parte da agenda comemorativa dos 80 anos da UBC. 

Em um momento em que a cena musical independente ainda carece de ambientes de troca e, principalmente, de espaços de visibilidade e aproximação com o mercado, a UBC Jam preenche essa lacuna. O evento, que acontecerá bimestralmente, se torna um ponto de encontro para a criação de oportunidades e parcerias a curto, médio e longo prazo e pretende contribuir também para a profissionalização do mercado, estimulando, inclusive, a captação de novos associados.

A primeira edição da Jam foi dividida em três momentos: jam session instrumental, pocket shows e palco aberto. Jonathan Ferr, Jonathan Panta, Letícia Mayara e Navalha Carrera foram os instrumentistas convidados para abrir a Jam. A música instrumental e a criação coletiva ao vivo, numa roda de improvisação de 40 minutos, foram as protagonistas da noite. 


Legenda: Navalha Carrera, Letícia Mayara, Jonathan Panta e Jonathan Ferr (da esquerda para a direita)

Os pockets shows contaram com Victor Mus — que também foi curador e mestre de cerimônia do evento —, Catha e Varandão, três artistas de destaque da nova cena que apresentaram algumas músicas autorais, acompanhados pela banda base do evento, composta somente por mulheres.

Para Mus, depois de uma longa pausa forçada pela pandemia, a volta dos encontros da música é ainda  mais especial para os artistas independentes, que veem nesses espaços a oportunidade de novas parcerias: “A gente tem a concepção de que ninguém liga pro artista independente, mas a UBC me fez mudar essa ideia. Que o mercado abrace cada vez mais o movimento, porque, afinal de contas, é a música independente que oxigena a produção artística.”


Coletivo Varandão no palco da Jam UBC

Victor Mus em seu pocket show

Catha cantando junto com a banda base da Jam

Por último, mas não menos importante, o evento também abriu o palco para que os demais cantores e músicos mostrassem seus trabalhos. Mais de 15 artistas passaram pelo palco da Jam e se apresentaram para o mercado da música que estava presente. 

Com produção da Rebuliço — empresa que desenvolve projetos culturais que aliam impacto social à arte —, Flávia Salles e João Suprani assumiram o comando da iniciativa e conversaram com a gente para explicar mais detalhadamente sobre a Jam UBC.


Na foto, da esquerda para a direita, os responsáveis pela UBC Jam: Flávia Salles, Vanessa Schutt, João Suprani e, no meio, o host Victor Mus

Qual é o objetivo principal da Jam Session? Ele foi cumprido nesta primeira Jam?
A cena musical independente carece de ambientes de troca e, principalmente, de espaços de visibilidade e aproximação com o mercado. Nós, da Rebuliço, trabalhamos há alguns anos com novos artistas e conhecemos as dificuldades que eles encontram para acessar determinados ambientes e para se aproximarem de outras cenas e profissionais do mercado. Desenvolvemos, então, esse projeto e encontramos na UBC uma grande parceira para realizá-lo com a gente.

A primeira edição foi um sucesso. Tivemos a presença de artistas de diversos gêneros, cenas e estágios de carreira, além de vários profissionais do mercado. Diversos feedbacks chegaram a nós falando sobre a importância da criação de um espaço como esse e de como o evento superou as expectativas, tanto no âmbito artístico quanto na sensação de acolhimento que ofereceu aos presentes. Sentimos que o evento realmente deixou todo mundo confortável pra criar conexões, subir ao palco e se divertir. E isso era fundamental pra gente: fazer com que os convidados se sentissem em casa.

O que chamou mais atenção de vocês neste primeiro encontro?
O mais legal foi ver os artistas se apoiando, assistindo às apresentações uns dos outros, vibrando e cantando junto. Como o evento também tem esse lugar de ser uma vitrine, já que tem a presença de diversos profissionais do mercado, esse movimento de incentivo acabou valorizando as apresentações, criando um ambiente de fortalecimento mesmo. Além disso, achamos que o palco aberto teve um lugar bem especial, porque foi a chance de ver apresentações com membros de 3, 4, até 5 bandas diferentes tocando juntos no palco.

Qual é a expectativa para os próximos?
Nosso foco é seguir construindo esse movimento de aproximação, tanto entre os artistas quanto deles com o mercado. Então, a expectativa é que mais gente se interesse pelo evento e queira participar para que a gente consiga, de fato, virar uma referência e seguir estimulando as conexões. Acreditamos que há um trabalho mais forte a ser feito para aumentar o engajamento e interesse de outros profissionais relevantes do mercado, que serão fundamentais pra que esses artistas consigam boas oportunidades após os eventos. Entendemos que esse interesse vai ser uma consequência desse movimento, já que a UBC Jam é uma oportunidade pra todas as partes do nosso ecossistema. Artisticamente, acho que a expectativa é manter a qualidade musical e, principalmente, surpreender ainda mais os convidados com as apresentações e conexões em cima do palco. 

O projeto da Jam Session UBC teve sua primeira edição em março de 2020, no evento de lançamento do relatório Por Elas Que Fazem a Música, mas foi interrompido devido à pandemia da COVID-19. Neste ano, ele recupera o fôlego e ganha mais três edições em julho, setembro e novembro. O evento também contou com apoio da Better Drinks e com a participação de funcionários voluntários da UBC, que colaboraram para que a Jam acontecesse da melhor maneira possível.

 

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